Data: 21/10/2021 19:23 / Autor: Redação / Fonte: Prefeitura de Diadema

Atendimento acolhedor é marca do ambulatório DiaTrans em Diadema

Em pouco mais de um mês de criação, serviço voltado para travestis e transexuais na cidade já possui 60 prontuários


Crédito: Dino Santos / PMD

Um misto de ansiedade e alegria explica o sentimento do auxiliar geral Phillip Maurício Quintella da Silva no dia de sua primeira consulta no Ambulatório DiaTrans, o primeiro Ambulatório de Saúde Integral da População de Travestis e Transexuais de Diadema e do Grande ABC, localizado no Quarteirão da Saúde (QS).

“É uma felicidade que não cabe dentro do peito. Faz três anos que me descobri homem trans e fiz a burrada de tomar o hormônio por conta própria. Não é o correto. Faz um ano que parei e o ambulatório é muito bom para ter acompanhamento. Agora vou fazer tudo certinho”, relata Phillip.

O DiaTrans disponibiliza processo transexualizador, com hormonioterapia, e abre espaço para fala, escuta e acolhimento das demandas dos travestis e transexuais que moram na cidade. Em pouco mais de um mês de atendimento, 60 pessoas já possuem prontuário no serviço.

Isadora Souza de Oliveira também chegou pela primeira vez no serviço e aprovou. “Vim por indicação de uma amiga e me senti muito acolhida. Vai me ajudar muito no processo da transição. São diversos os desafios de viver como uma mulher trans, como colocar uma roupa e sair à rua, ir ao mercado, enfim, muitos constrangimentos que nós passamos. Eu espero que isso mude com certeza, porque nós temos voz, precisamos ser ouvidas. Tem espaço pra todo mundo”, pontuou.

De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), 1,9% da população no Brasil se reconhece trans e a média de vida dessa pessoa é de 35 anos. A baixa média de vida pode ser explicada também pela violência que esse público sofre. “A gente tem medo do preconceito da rua, tem gente que faz questão de te deixar constrangido. Quando a gente se descobre, geralmente descobre depressão, um monte de coisa que ninguém vê, só no nosso íntimo mesmo. A gente precisa ser visto e ouvido. É o que a gente precisa”, ressalta Phillip.

A vinculadora do Ambulatório DiaTrans Dandara Santos afirma que o atendimento humanizado faz diferença na vida de cada um. “Quem vem ao DiaTrans encontra seres humanos para acolher outros seres humanos. Uma mulher trans veio em busca da hormonioterapia, mas quando ela sentou para conversar comigo, deixou bem claro que isso era secundário na vida dela. Ela precisava de alguém pra ouvi-la, que não discriminasse, não punisse e não violasse os direitos dela”, explica.

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